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Sudão em Crise: Milhares de Mortos em Massacres de El-Fasher e El-Obeid Enquanto a Guerra Civil se Intensifica

Publicado há 7 meses

Cartum, Sudão – A guerra civil no Sudão atingiu um novo e brutal patamar, com a recente queda de El-Fasher e um ataque devastador em El-Obeid, resultando em milhares de civis mortos e uma escalada alarmante da crise humanitária. A comunidade internacional assiste, em grande parte, à distância, enquanto o país mergulha cada vez mais no caos.

El-Fasher: O Último Reduto de Darfur Cai em Banho de Sangue

Após um cerco excruciante de 18 meses, a cidade de El-Fasher, último bastião das Forças Armadas Sudanesas (SAF) na região de Darfur, sucumbiu às Forças de Apoio Rápido (RSF) entre outubro e novembro de 2025. A captura da cidade foi imediatamente seguida por um massacre em grande escala, com relatos de milhares de civis executados.

Um ataque hediondo a um hospital na cidade resultou na morte de mais de 460 pessoas, sublinhando a natureza indiscriminada da violência. Entre as vítimas, encontram-se mulheres, crianças e idosos, que foram alvo de execuções, violência sexual e ataques a centros de deslocados. El-Fasher era um refúgio para centenas de milhares de pessoas deslocadas pela guerra, e a violência atual assume um caráter étnico preocupante, visando principalmente grupos não-árabes. O Tribunal Penal Internacional já está a recolher provas sobre os crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos, na esperança de levar os responsáveis à justiça.

Ataque em El-Obeid: Funeral Transformado em Tragédia

A violência espalhou-se para a região de Cordofão em novembro de 2025, quando um ataque durante um funeral na cidade de El-Obeid ceifou a vida de pelo menos 40 pessoas. As suspeitas recaem sobre as RSF, que procuram expandir o seu controlo para além de Darfur, visando regiões ricas em petróleo. Este ataque é mais um sinal da ofensiva contínua das RSF para consolidar o seu poder no Sudão.

Contexto de uma Nação em Ruínas

A guerra civil, que eclodiu em abril de 2023, é o resultado de uma luta pelo poder entre o general Abdel Fattah al-Burhan, chefe das Forças Armadas, e o general Mohamed Hamdan Dagalo (“Hemedti”), líder das RSF. Desde então, o conflito já custou a vida a mais de 150.000 pessoas e forçou mais de 13 milhões a abandonar as suas casas, criando a maior crise de deslocados do mundo. A Organização das Nações Unidas (ONU) descreve a situação como uma das piores crises humanitárias do século.

Há relatos generalizados e consistentes de atrocidades chocantes, incluindo assassinatos em massa, violações e outros crimes contra a humanidade, atribuídos predominantemente às RSF. A indiferença da comunidade internacional perante esta catástrofe humanitária é cada vez mais criticada, enquanto o Sudão se desintegra sob o peso da violência e do sofrimento. A necessidade de uma intervenção urgente e coordenada para proteger os civis e procurar uma solução pacífica é mais premente do que nunca.

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