Campo missionário

Paquistão e a intolerância religiosa

Publicado há 2 semanas

A Vulnerabilidade da Minoria Cristã
No Paquistão, os cristãos, uma minoria religiosa, enfrentam desafios diários que vão desde
a discriminação social até ameaças de violência letal. O país, classificado em º lugar na
Lista Mundial da Perseguição da Portas Abertas, é um dos locais mais perigosos para
se professar a fé cristã. A fragilidade governamental e a crescente influência de grupos
extremistas islâmicos contribuem para a vulnerabilidade dessa comunidade.

Leis de Blasfêmia: Instrumento de Opressão
As leis de blasfêmia paquistanesas são frequentemente utilizadas como ferramenta para
intimidar cristãos e outras minorias religiosas. Acusações, muitas vezes infundadas, podem
desencadear a violência de multidões contra indivíduos, suas famílias e a comunidade
cristã em geral. Essa situação é agravada pelo fato de que a maioria dos cristãos pertence a
uma casta considerada “intocável”, os “varredores”, perpetuando um ciclo de
discriminação e pobreza.

O Preço da Fé: A Tragédia de Shabbir Masih e o Trabalho Forçado
A intolerância religiosa no Paquistão se manifesta de formas brutais, como no caso de
Shabbir Masih, um cristão de anos que morreu em março de após ser forçado a
trabalhar em um sistema de esgoto. Apesar de saber dos perigos dos gases tóxicos e da
água contaminada, Masih foi levado à força por supervisores da Autoridade de Água e
Saneamento (WASA) para um cano de , metros de profundidade. Sua recusa inicial foi
ignorada, e ele foi coagido a realizar o serviço que lhe custou a vida. Outro trabalhador
cristão, Sanwal, também adoeceu gravemente no incidente.
Este não é um caso isolado. O trabalho forçado em condições desumanas é uma realidade
para muitos cristãos no Paquistão, que, por pertencerem a uma casta considerada
“intocável” e viverem abaixo da linha da pobreza, são frequentemente designados para
os empregos mais perigosos e socialmente degradantes, como a limpeza de esgotos. Dados
do Centro para a Justiça Legal (CLJ) revelam que, entre e , pelo menos cristãos
morreram em bueiros e sistemas de esgoto no país. A empresa WASA negou
responsabilidade, alegando que Masih era terceirizado, uma prática comum que exime
órgãos públicos de responsabilidade em acidentes e mortes.
Essa exploração é um reflexo direto da intolerância religiosa e da discriminação sistêmica.
Embora os cristãos representem menos de % da população paquistanesa, eles ocupam
% dos empregos de saneamento, muitas vezes sem equipamentos de proteção ou
treinamento adequado. A recusa em realizar tais tarefas perigosas pode resultar na perda
do emprego, deixando famílias inteiras sem sustento. A tragédia de Shabbir Masih é um
lembrete sombrio do alto preço da fé em um país onde a vida de um cristão é desvalorizada.

A Resiliência da Fé
Apesar da severidade da perseguição, a fé cristã no Paquistão demonstra notável
resiliência. Maliha (pseudônimo), uma professora universitária que vivenciou ataques em
Jaranwala em , relata: “Jesus permitiu esses ataques para nos aproximar dele. Em
uma única noite, milhares de cristãos clamaram nas ruas, alguns de joelhos, outros com as
mãos erguidas, outros com o rosto nos ombros uns dos outros. Mas todos clamaram a
Jesus.” Essa declaração ilustra a profunda fé que persiste mesmo na clandestinidade,
onde os perigos de seguir a Jesus são iminentes.



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